sobre voltar para casa
um processo que demorou algum tempo e que me levou a compreender a importância de estar em família
quando voltei para minas, minha vida mudou completamente. os finais de semana agitados tornaram-se pacatos. acabaram-se os encontros nos botecos. as festas de eletrônico deixaram de ser hábito. lá se foram os meus sábados de ressaca.
com isso, também se foram as oportunidades de teatro, museu e aquele cinema de uma noite qualquer sem ter o que fazer. não tinha mais feirinhas que se descobre de última hora permbulando pela rua e que quem mora em são paulo sabe muito bem que tem.
ao voltar, não foi fácil me adaptar. ter vivido longos anos na capital paulistana fez com que voltar fosse um processo demorado, parter de um movimento frequente de idas e vindas ao interior aos finais de semana, que envolveu também sucessivas quebras de vínculos estabelecidos com as pessoas com quem convivia.
quando tomada a decisão de voltar de vez, acabei por entender que se tratava de um respiro de que eu realmente precisava.
meu primeiro ano em casa, ajudando minha mãe nos afazeres domésticos foi de grande importância. nesse período meu pai se recuperava de uma cirurgia oncológica e eu ainda digeria as circunstâncias em que ele se encontrava. era importante estar ali com a família, participar de decisões e ser o filho que, por mais de 15 anos, eu recusei em ser para poder viver a minha própria história. foi uma etapa importante para que eu compreendesse o processo de chegada da idade de meus pais.
nesse tempo, eu também precisei cuidar de minha própria saúde. estar em minas me trouxe de volta hábitos saudáveis que eu até então paulatinamente negligenciava. dormir cedo e acordar cedo, andar de bike na rotina do dia a dia, me desligar um pouco das infindáveis bibliografias de pesquisa, respirar ar puronas caminhadas... tudo isso contribuiu também para que eu entendesse onde eu me encontrava na virada dos meus 30 e poucos anos.
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